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sábado, 14 de abril de 2012

Vegetarianismo

Ao assistir o documentário “A carne é fraca”. Fiquei realmente tocado pela ideia de me tornar vegetariano. Estou nesse caminho e espero realmente conseguir trilhá-lo em definitivo. Enquanto assistia, além de ficar alarmado com as informações, fui listando algumas ideias que acompanhei no vídeo. E, com algumas delas, montei este texto.

Para falar sobre o vegetarianismo ou até mesmo a dieta vegana - a dieta sem carnes ou alimentos e produtos animais -, precisamos reconhecer que a prática da pecuária é um dos maiores problemas ambientais e sociais do planeta. Demandando cada dia mais água e cada dia mais área, essa questão que tem vários ângulos mostra que estamos chegando a um momento definitivo de nossa existência enquanto seres inteligentes e, sobretudo, conscientes de nossas ações e do impacto que elas causam no nosso ecossistema.

No custo da produção da carne brasileira que é vendida tanto aqui no Brasil quando no exterior, quanto aos problemas causados no ecossistema, ainda não está embutido no preço ao consumidor final. Este consumidor não sabe que a carne consumida por ele tem o peso da destruição que ela causa em todas as regiões do planeta. Na Europa e em vários países desenvolvidos e mais conscientes desses problemas ambientais, o custo de produção dentro das normas exigidas é tão alto que torna o produto brasileiro atraente em termos de preço e qualidade – que eles mesmos ditam como deve ser. Então o Brasil exporta o produto básico e mais barato, arca com todos os imensos custos que ainda nem são notados pela maior parte da população brasileira e ainda é obrigado a seguir as normas externas. Ou seja: um péssimo negócio em todos os sentidos.

Não há no Brasil leis ou normas que exijam que os produtores alimentem primeiro a população local e só depois exportem os excedentes. E pior, ainda não se divulga a real sustentabilidade e insustentabilidade na produção de carne. É fato conhecido que os grãos que vão para a alimentação dos animais destinados ao corte - consumo humano - poderia resolver a questão da fome da humanidade. O desperdício é imenso.

Com a extinção da cultura de animais para o consumo humano, poderíamos promover uma maior geração de emprego e renda com menores impactos ambientais. A carne não faz sentido ambientalmente e para a manutenção da saúde humana. Quando alguém come um pedaço de carne de boi, está praticamente comendo um pedaço da Amazônia e nem se dá conta disso.

Estamos perdendo oportunidades imensas de aprendizado com nossos amigos animais. As qualidades físicas deles são muito mais antigas e experientes que a espécie humana. Diversos animais são estudados para que seja feito o entendimento sobre sua forma de detecção de presas, proteção, construção de materiais leves e resistentes e até mesmo prevenção de catástrofes. Entre muitas outras!

Percebemos que a mídia cria, em suas propagandas, imagens de animais como “felizes” por serem parte da nossa alimentação numa nítida intenção de nos alienar da dor e sofrimento que acontece nos criadouros de larga escala. A sistemática da criação até o abate, na imensa maioria dos casos, é extremamente degradante infringindo extremo sofrimento. O processo de castração, na maioria dos casos, é feito a sangue frio. Sem o uso de qualquer anestésico. O animal é encarado como máquina.
O modelo de abate sistemático gera medo e pavor e estressa o animal de forma extrema. Com isso muitas substâncias altamente tóxicas são liberadas no organismo do animal. Os seres humanos se alimentam dessas substâncias quando consomem esta carne. Paralelamente notamos que pessoas que trabalham em matadouros geralmente passam por uma transformação de insensibilidade humana. Sem isso não conseguiriam continuar o serviço naquele local.

A indústria da propaganda torna as imagens dos produtos baseados em animais em tema muitas vezes sofisticados, com nomes como “presunto de parma” ou “salame italiano” entre outros, mas os processos envolvidos ainda são os mesmos e ainda nos alimentamos de toda a problemática causada pela morte daquele animal. Toda a gordura saturada, nitritos de sódio e de potássio, corantes, antibióticos, hormônio estão ali. Isso produz uma quantidade enorme de doenças. A incidência de alguns tipos de canceres aumentou enormemente de uma década até hoje.

Uma das questões que mais cresce a cada dia também é a do direito dos animais. Protestos em todo o mundo tentam nos chamar a atenção quanto a crueldade contra esses seres que como nós, sentem medo, dor, precisam de carinho e respeito. Há um clamor das sociedade protetoras dos animais no sentido de reivindicar o direito do animal a ser protegido da dor e do sofrimento. Mas será que os animais sentem dor? Será que é necessário que eles “falem” o quanto dói estar confinado por toda a sua vida e ir para o abate? Ou a simples observação de que o animal se afasta aterrorizado do agente que o inflige dor já não é o suficiente?

Quando há uma relação aproximada com o animal geralmente cria-se um sentimento de amizade. É comum vermos pessoas que moram em sítios e fazendas que não se alimentam dos animais que criam por uma questão de afeto desenvolvido pelo convívio.

Não temos o direito de subjugar os animais ao nosso bel prazer e interesse. A constituição federal estabelece proteção ampla aos animais, vedando a crueldade. Mas basta uma simples passada de olhos por estabelecimentos de abate para percebermos claramente que a lei é descumprida praticamente em todas as unidades e podemos relacionar inúmeros crimes ambientais, através do maus tratos e abuso ao rebanho. Por não termos contato direto com esses estabelecimentos, ignoramos os processos e damos como normal toda a sistemática. Até o momento não há questionamento do Ministério Público quanto aos métodos utilizados em todo o processo de criação e abate para o consumo de animais. A impunidade tem sido regra.

Uma forma de esclarecer a sociedade da necessidade de mudar seu estilo de vida, é mostrar tudo o que acontece em um ambiente de abatedouro. Não se faz isso atualmente porque as cenas são muito chocantes e a audiência não conseguiria suportar ficar frente a frente com a verdade. Consumindo produtos feitos de animais, os seres humanos estão financiando todos os processos deste mercado macabro que é a alimentação de cadáveres, fornecendo lucro a alguns empresários.

Há muitas crianças que naturalmente rejeitam a carne. No entanto, a insistência dos pais os faz mudar de condição, infelizmente. Foi criada uma ideia de que é necessária a ingestão de carnes para a manutenção da saúde. Essa inverdade ainda é contada inclusive em centros de saúde e infelizmente, de nutrição. Então é importante que os agentes de saúde passem a correta informação aos pais para que haja a tranquilização e aceitação aos interessados em conhecer este estilo de vida.

Não devemos nos enganar quanto a necessidade proteica humana diária numa dieta vegetariana. A quantidade de proteínas necessárias à manutenção do corpo humano pode ser totalmente encontrada em alimentos vegetais. A informação de insuficiência proteica dos vegetais é mito gerado em grande parte pela indústria de criação e corte que tem interesse em manter suas vendas e a manutenção de seus negócios.

A sensibilização quanto à beleza de uma horta, os perfumes de um pomar, o ato de colher uma hortaliça, é algo que nos agrada aos olhos e ao tato naturalmente. A comida vegetariana é bonita em suas cores, aromas, gostos e formas. Isso é algo que as pessoas precisam aprender. A quantidade de micronutrientes existentes em vegetais não são encontrados em nenhuma carne. O pretexto de que as frutas e legumes têm agrotóxicos enquanto a carne não apresenta essa característica também é errônea. A gordura animal é muito mais saturada e retêm muito do DDT, inseticidas e defensivos agrícolas. A ingestão em doses mínimas e constantes destes elementos mina a saúde e a incidência de gripes, resfriados, diarreias entre outros problemas nem sempre são associados de forma correta. E por isso não nos conscientizamos do real problema. Nem contabilizamos a conta paga aos laboratórios farmacêuticos para nos “curar”.

Um dos grandes problemas também relativos ao consumo de algo que está morto é o apodrecimento desse material. O apodrecimento da carne começa assim que o animal perde a vida. O ato do congelamento suspende temporariamente este processo. Mas logo que compramos esta mesma carne que está disposta em um açougue, estamos levando para casa um produto já em estado de apodrecimento. A ingestão dessa matéria é a ingestão também de todas as bactérias que estão envolvidas neste apodrecimento. Uma pergunta muito pertinente e que se deve pensar seriamente é: quanto tempo permanecerá em seu organismo esse material em putrefação até que seja expelido?

Tornar-se vegetariano não diminui a saúde de pessoas que se alimentam de forma correta. Também não as torna totalmente imunes, uma vez que vivemos em um ambiente naturalmente agressor de nosso sistema imunológico. É muito comum vermos vegetarianos se destacando em estudos e tarefas do dia a dia. Nota-se também o estilo de vida mais tranquilo desses indivíduos.

Ser vegetariano ou tornar-se vegetariano é a escolha pela saúde e o reconhecimento que algo está errado e que é necessário tomar uma atitude consciente. É saber que essa revolução é pessoal. Devemos perder a ilusão de que precisamos formar massas imensas para começar este revolução sem tocar individualmente cada consciência. Pequenos atos de conscientização individuais fazem imensa diferença. E nossa atitude no supermercado é onde podemos, individualmente, mudar esse jogo.

Então o segredo do vegetarianismo está no consumo consciente. O consumismo do bem. E essa nova geração precisa ter a oportunidade de fazer a diferença para o futuro não como a geração que se desligou da matéria. Mas como a geração que está ligada à matéria de uma forma mais saudável.

E há um nicho de mercado para essa população que faz ou fez a escolha pelo vegetarianismo. Algumas empresas já se deram conta disso e estão lucrando muito com isso.

O vegetarianismo proporciona o nível de dignidade que o ser humano deseja e quer merecer. Um mundo com mais paz pode ser criado, naturalmente, num ato que praticamos três vezes ou mais por dia, que é comer.


Assista o documentário:



















Agradecimentos à editora do blog Cantinho vegetariano

1 comentários:

Elaine disse...

Excelente artigo, Claudio... Você conseguiu sintetizar de forma clara e objetiva as implicações do consumo de carne para o meio ambiente, para a saúde e para os animais.

Gostei especialmente desse trecho: "Devemos perder a ilusão de que precisamos formar massas imensas para começar esta revolução sem tocar individualmente cada consciência. Pequenos atos de conscientização individuais fazem imensa diferença. E nossa atitude no supermercado é onde podemos, individualmente, mudar esse jogo."

É exatamente isso! Como na história do beija-flor que tenta apagar o incêndio da floresta sozinho. Ele pode até não conseguir, mas ao menos está fazendo sua parte...

Encerro com uma citação, da qual gosto muito:

"Nunca duvide que um pequeno número de pessoas engajadas seja capaz de mudar o mundo. Na verdade, sempre foram elas que mudaram o mundo." (Margaret Mead)

Abraço!

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