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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Para que serve a carteira de habilitação?

Imagine a cena: um carro, ou moto, trafegando por uma via qualquer e logo à frente um guarda faz sinal para que o condutor pare o veículo. Após uma breve saudação, o agente da lei pede a habilitação e os documentos do carro. Logo depois é muito comum que ele, com os documentos, se dirija ao carro patrulha e digite os dados do veículo e do motorista em um pequeno computador que está conectado a uma central que fornece todos os dados que precisam ser verificados. Não havendo qualquer empecilho, os documentos são entregues e o motorista segue viagem.

Mas então para que serve a carteira de habilitação fisicamente falando? Para que serve aquele papel oficial com sua foto, dados e sistemas de segurança contra a falsificação?

Quem tem habilitação sabe o quanto custa caro tirar a primeira via desse documento. São pagas taxas muito altas e exigidas a presença e assinaturas do requerente tanto na retirada da primeira habilitação (que só é válida por um ano) quanto para se pedir uma segunda via desse documento.

Mas, se o oficial da lei pode verificar todos os dados por seu aparelho no carro patrulha, para que devemos portar uma carteira?

A carteira, fisicamente falando, pode ser perdida, falsificada, pode se danificar de muitas formas. Vale a pena manter um sistema tão caro e ineficiente enquanto se pode dar o próximo passo e tornar tudo mais automático?

Imagine agora que a carteira exista somente virtualmente. Você cumpriu todas as formalidades legais e está apto a dirigir. O guarda lhe para, pede sua identidade e vai até a viatura. Digita seu número de identidade e a placa do carro. Imediatamente sua foto é mostrada e ele recebe todos os dados necessários. Não havendo problemas na documentação você é liberado. Simples, prático, eficiente.

Você não pode perder algo que não existe fisicamente. Não há a possibilidade de falsificação de uma carteira que não existe fisicamente. Não é necessário que você esteja fisicamente num posto do órgão regulador para retirar um documento que não existe. Nem que sejam pagas as taxas absurdas que são cobradas pelo serviço que poderia muito bem ser gratuito ou de um valor simbólico.

Tornar prático e seguro o processo garante o direito do cidadão de ir e vir. Esse deve ser o papel do estado. Criar normas burocráticas, na maioria das vezes, serve apenas para o empobrecimento da sociedade e cria oportunidades de corrupção. Isso nós vemos a todo o momento no Brasil.

Lamentável que a todo o instante sejam veiculadas notícias sobre fraudes e irregularidades num órgão tão importante quanto o que regula o direito de ir e vir de todo um país como o Brasil. Talvez seja por isso mesmo, que, com toda a tecnologia atual ainda precisemos estar fisicamente sofrendo por não cobrarmos que nossos governantes façam seu trabalho de forma honesta e justa. E também por isso mesmo que ainda precisamos pagar tão caro por não sermos cidadãos.


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Se você quer saber como identificar um político corrupto, clique aqui.

Se quer saber quanto o Brasil perde com a corrupção, clique aqui.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Google, Brasil e crise

Por Claudio Lopes

A Google, maior empresa de buscas na internet, até agora, parece não ter sido atingida pela crise financeira internacional. Seus lucros continuam em rota de subida e sua saúde financeira parece estar muito bem. Mesmo assim, num ato de perspicácia da sua administração, demitiu 100 funcionários recrutadores de pessoal, fechou três escritórios de engenharia e está desativando alguns dos projetos menos rentáveis do grupo. Isso mostra o comprometimento de administradores engajados com o futuro e preocupados em manter-se na vanguarda de sua área de atuação.
O mesmo parece não acontecer no governo Brasileiro [mais]. A atual administração recebeu um inestimável alicerce político e econômico do governo antecessor. Apesar de anteriormente se dizer oposição, abraçou os métodos e mecanismos da administração passada, modificou umas coisinhas aqui e ali, uma “repaginada” em alguns programas já implantados e vimos uma espécie de “mais do mesmo” com cores e caras novas.

Até agora, o governo brasileiro surfou nas boas ondas geradas pelo passado e pela manutenção dos métodos anteriores. Os tempos eram outros. A saúde financeira internacional parecia ser excepcional e o crescimento externo fazia topos sobre topos nos gráficos de todos os analistas de mercado. O caso é que o castelo de cartas se desfez. Com mercados interligados, vários países sentiram o peso da crise. Apenas o governo brasileiro diz que não será atingido. Mas o que vemos parece não estar sendo um bom presságio: mesmo com facilidades oferecidas para manter o crédito e a liquidez entre bancos e mercado, os números do desemprego mostram que não estamos num céu de brigadeiro como pensávamos. As maiores empresas nacionais mostram suas estratégias de reação à crise. Os novos desempregados tentam entender o que está acontecendo, os políticos de primeira linha do planalto dão um tom quase indignado ao falarem das demissões promovidas por fábricas que receberam ajuda do governo. Até aí tudo bem.
Mas, uma coisa parece estar muito errada. Ao mesmo tempo em que o quadro financeiro interno se mostra cada vez mais tenso e perigoso, o governo nem sequer fala, ou quer ouvir falar, em corte de gastos da máquina pública. Ao contrário, o que vemos e temos notícias pelos mais variados meios de comunicação, é o avanço vertiginoso dos gastos públicos numa demonstração de total desrespeito ao dinheiro do contribuinte. Brasília é uma ilha da fantasia, isso todos que a conhecem já sabem. E também sabemos que, em nenhum lugar do mundo, uma administração que se julga realmente séria pode fechar os olhos para seus gastos administrativos ou pelos vazamentos de dinheiro que corroem e colocam em cheque a sobrevivência do negócio em tempos futuros. Isso em tempo de bonança! O que se dirá agora, em tempos de crise e grandes instituições mundiais, outrora potências, se tornando esqueletos sem valor da noite para o dia.
Mais uma vez vemos o povo brasileiro fazendo cara de paisagem fingindo que não é com ele.
Mas uma coisa o governo parece estar fazendo muito bem. Se resume mais uma vez a uma única palavra: repaginada! Basta ver o novo shape da ministra da casa civil Dilma Rousseff. Mais uma vez, a máquina dos marketeiros gira criando a mais nova estampa a ser vendida. Com plásticas estratégicas assistimos o nascimento da próxima salvadora da pátria. Tudo para fazer o povo aceitar o que pode ser a próxima dama de ferro tupiniquim. É claro que tem tudo para dar certo. Aos poucos o povo esquece e pensa que ela sempre foi assim. Linda e suave... que o diga os velhos arquivos do Dops.
O PT, apesar de todas as turbulências e falcatruas noticiadas pela mídia, parece firme e forte. A receita é muito simples: basta não olhar para as sujeiras, fingir que correm atrás dos culpados, e o tempo, em conjunto com a legislação estrategicamente formada para esses casos, se encarrega livrar os culpados e de enviar para baixo do tapete coisas que não devem ser vistas por ninguém. E assim está acontecendo. Aos poucos e sempre. Mais uma vez o povo recebe seu pão e circo e banca a bonança de poucos.
Mas essa é uma aposta arriscada. Não fazer os ajustes de gastos do governo pode significar a morte logo após a curva. Como em política tudo é questão de ponto de vista, com certeza, os que pretendem a continuação de sua administração, já tem um plano formado. Se a situação ficar ruim, colocamos a culpa em alguém. Pode ser no mercado externo, na oposição que tenta puxar o tapete para subir ao trono, ou qualquer outra coisa que se transforme em lucros no decorrer da crise. Uma coisa é certa: eles estarão sempre bem, com bons salários, benefícios, falcatruas e uma legislação estrategicamente formada para livrar os bandidos caso sejam apanhados descaradamente roubando o dinheiro do povo ou usando-o em proveito próprio para subir mais alguns degraus na escalada rumo ao poder.
As apostas já foram lançadas e o povo dorme silenciosamente.
Uma pena que não temos no nosso governo, administradores engajados com o futuro do nosso país, preocupados em nos fazer chegar ao topo e nos manter na vanguarda do mundo globalizado.
Que pena que meu país não se chama Google.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Os números da corrupção no Brasil

Contribuição de Claudio Lopes


Image and video hosting by TinyPicA KPMG – conceituada empresa de auditoria com escritórios em todo o mundo – realizou um estudo sobre a corrupção no Brasil. O resultado é espantoso: no país, por ano, são roubados 160 bilhões de reais através da corrupção e crimes do colarinho branco. As fraudes totalizam mais de R$ 438,00 milhões por dia. Os dados estão no jornal O Globo de 28 de julho de 2008.

Mas, você sabe quanto é um bilhão?
Um bilhão é um número tão espantoso que é difícil até mesmo para economistas descreverem a sua magnitude. Mas, vou tentar usando dois cenários:
Cenário 1 – um mundo sem inflação
Se você tivesse um bilhão e gastasse dez mil reais por dia (gastar sem retorno), seriam necessários 273 anos até que o dinheiro terminasse.

Cenário 2 – um mundo com inflação
Se você tivesse um bilhão de reais e o aplicasse na caderneta de poupança (um dos menos rentáveis), poderia gastar, sem retorno, dez mil reais por dia, reajustados mensalmente pelos índices de inflação e, mesmo depois de mil anos, ainda seria bilionário.







Só para lembrar, no Brasil são roubados 160 vezes um bilhão.

Levando-se em conta uma população de 180 milhões de brasileiros, é como se cada um, estivesse sendo lesado, por ano, em mais de R$ 888,00 (incluindo os recém nascidos, e a população que vive abaixo da linha da miséria). Com isso, casos de mortes em hospitais mal aparelhados, deficiência no sistema de educação, altos índices de violência nas cidades, entre outros tantos problemas nacionais, podem ser creditados de forma direta e indireta à corrupção. Fica fácil entender porque o Brasil é um país tão rico e ao mesmo tempo considerado de terceiro mundo.
Não é preciso ir muito longe para notar que, apesar dos pesados impostos pagos pela população, o serviço público deixa a desejar enquanto alguns ocupantes de cargos eletivos ostentam aumento de capital acima do percebido pela população em geral. Os dados são frequentemente divulgados por vários meios de comunicação (jornais, revistas, televisão em todo o país) e já são vistos como “notícia rotineira” pelo público mentalmente “anestesiado”.
Lembro que no plebiscito de 1993 que ouvia a população quanto à forma e sistema de governo (república, monarquia ou parlamentarismo) a ser instituída, num programa de tv, ter ouvido um dos herdeiros da coroa brasileira dizer a seguinte frase: “Os brasileiros são como mendigos sentados sobre uma montanha de ouro”. Pessoalmente não discordo em nada dessa afirmação.
Na internet são muitos os casos de propostas que tornam a corrupção um crime hediondo.
Uma comunidade no Orkut foi criada para estimular os internautas a ver a corrupção como um mal negócio, o endereço é http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=3669906.
Existem inclusive propostas desse tipo que foram lançadas no congresso nacional, onde ficaram esquecidas.



O caso Teresópolis

Teresópolis dá sua contribuição para a composição dos números da corrupção no Brasil.

Infelizmente Teresópolis vem às manchetes de jornal em vários pontos do país por motivos menos nobres do que sua beleza exuberante e vocação para o turismo.
No dia 21 de agosto uma equipe do Ministério Público deflagrou a operação denominada “Tarja Preta” onde foram expedidos 13 mandatos de prisão e 19 de busca e apreensão.
Os números divulgados dão conta de que foram desviados algo em torno de 17 milhões de reais.

Em meio às rodas de bate-papo na cidade, não é difícil encontrar pessoas espantadas com o total da verba desviada divulgado pelas operações do Ministério Público. Mas outras questões freqüentes que vem à tona são as seguintes: onde mais há, ou houve, desvio de verbas? No total, qual o verdadeiro montante dos desvios realizados? Há quantos anos isso vem acontecendo?
O esclarecimento dessas questões fica a cargo dos trabalhos do Ministério Público e Polícia Civil. Quanto a nós, simples contribuintes, não cabe condenar ou inocentar os envolvidos, cabe apenas esperar e torcer para que o dinheiro público seja tratado com o devido respeito e a população tenha o direito de não ser lesada. Com isso, quem sabe não veremos mais notícias sobre mortes em hospitais mal aparelhados, deficiências no sistema de educação etc...
Seremos cidadãos afortunados, usufruindo nossa montanha de ouro.

Notícia lida em: http://www.adpf.org.br/modules/news/article.php?storyid=41216.
Claudio L.


Quer saber como identificar um político corrupto? Clique aqui.

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